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A bolha da IA é real e irá forçar substituição de humanos em postos de trabalho

Nem os investidores diretos nestas tecnologias, nem as empresas que as adquirem, sabem justificar claramente quais os seus ganhos capitais, senão em retóricas que usam os termos de “aceleração“, “assistente“, “velocidade na decisão”. Mas ninguém se arriscou a colocar isso na ponta do lápis.


Centenas de empresas estão envolvidas em um processo circular de investimento e trocas de tecnologias entre si próprias. A openAI, criadora do ChatGPT, necessita de infraestrutura pra fazer o ChatGPT funcionar. Textos, imagens, vídeos criados com IA exigem processamento. Essa infraestrutura envolve imensas quantidades de servidores e esses servidores operam com base em hardware fornecido pela Nvidia, empresa que faz placas de vídeo e outras soluções que são cruciais para o funcionamento da inteligência artificial. Nvidia e Microsoft vendem entre si placas e armazenamento na nuvem para manter as operações e servirem empresas como a OpenAI.


É justamente a isso que refere-se como investimento circular, um trânsito de dinheiro preso em uma rotatória de alucinação financeira, onde empresas como OpenAI, Microsoft, Google, Nvidia e algumas outras investem entre si adquirindo tecnologias umas das outras pra sustentar um negócio. Qual negócio? O sonho da automatização plena do capitalismo, ou melhor, a atualização completa da mão-de-obra, permitindo a geração de mais dinheiro virtual, ainda sem comprovadas riquezas reais sendo produzidas para o mundo.


Que a IA já faça parte do cotidiano da maior parcela dos profissionais do mundo é inquestionável. Organizam agendas, transcrevem reuniões, resumem e-mails ou são usadas como bots de orientações gerais. Mas acerca dos benefícios reais disso, nem os próprios investidores têm qualquer certeza. Nem as empresas.


Ilustração de Sotiris Kizilos
Sem rumo, ilustração por Sotiris Kizilos

A implementação massiva dessa tecnologia em praticamente tudo, de ferramentas de chat a sistemas de segurança, reflete apenas um sonho de autonomia produtiva premidiado por peças de ficção científica que implantaram um conceito de futuro na mente dos - hoje - CEOs e presidentes de empresas. Efetivamente, essas implementações da inteligência artificial no cotidiano dos trabalhadores, fizeram apenas com que uma quantidade imensa de registros de comportamentos seja estocada e processada, para fins ainda não muito claros. Nem os investidores diretos nestas tecnologias, nem as empresas que as adquirem, sabem justificar claramente quais os seus ganhos capitais, senão em retóricas que usam os termos de “aceleração“, “assistente“, “velocidade na decisão”. Mas ninguém se arriscou a colocar isso na ponta do lápis. E aqui estou falando apenas dos fins lucrativos das empresas, nem precisamos entrar na dimensão dos impactos na vida dos seres humanos que passam a ter que trabalhar com essas tecnologias. Não há, neste momento, nenhuma clareza acerca dos benefícios financeiros do uso da IA. Daí a bolha.


E talvez isso não seja uma notícia positiva, se extrapolarmos as possibilidades:


  1. por um lado, trata-se de um processo irreversível de inserção dessa tecnologia em absolutamente tudo, das câmeras à porta automática e a máquina de café, processo que está em pleno curso de investimentos pesados, ainda que ninguém saiba qual o benefício real disso.

  2. Por outro lado, o imenso investimento vago gerado pela bolha vai forçar as empresas a terem que tomar uma decisão drástica para que justifiquem seus investimentos.


A hipótese que levanto é que a inteligência artificial por si só não vai gerar lucros extras e isso provavelmente forçará as empresas a reaver seus investimentos nessa tecnologia, não pelo aumento da produtividade efetiva que nunca ocorreu, mas pela diminuição do investimento em agentes humanos, isto é, com demissões em massa. A inteligência artificial, não tendo benefício comprovado por uma exponencial realização produtiva, acaba posta na condição de ter que se justificar a longo prazo já que já foi implantada.


Justamente aí teremos um cenário que força a substituição do humano pela máquina dentro da lógica do lucro. O lucro pode não ocorrer por maior ganho, mas a longo prazo, por menor gasto na produção. É aqui que nos encontraremos com a já prenunciada decisão do desligamento de pessoas e automatização de processos por inteligência artificial, que já está implantada, já tem acesso aos dados, já “aprendeu a trabalhar”.


O cenário da bolha atual gerado pela lógica capital das empresas não parece dar outra saída, senão a substituição do humano por IA; não porque IA seja de fato melhor, mas porque sairá mais barato, e a bolha atual já a fez entrar em cada vão da esfera do trabalho.



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Seremos dados, a filosofia da perda do espaço humano para a inteligência artificial.







2 comentários


thiago.dcf
há uma hora

Se a IA + robótica for capaz de substituir o humano, ela já se colocará no patamar da fronteira de lucros da atualidade. Além do trabalho, ainda há a simplificação de aspectos econômicos e políticos. Máquinas não fazem greve.

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thiago.dcf
há uma hora
Respondendo a

Ps: o estilo e tamanho da fonte do site está excelente para a leitura e escrita. Parabéns!

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